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EDITORIAL DE OLHO NO GRANDE PASTOR DAS OVELHAS

De Olho no Grande Pastor das Ovelhas

Jesus é o Bom Pastor no evangelho de João (10:11), o Grande Pastor na Epístola aos Hebreus (13:20) e o Supremo Pastor na primeira epístola de Pedro (5:4). Ele é o conteúdo da nossa mensagem, a razão de ser do nosso ministério e é o nosso Mestre. 

Nada é mais necessário aos pastores de ontem e de hoje que tomarem Jesus como seu paradigma. 

Ele mesmo afirmou: “eu lhes dei o exemplo, para que vocês façam como lhes fiz” (Jo. 13:15). 

Somente o esforço de seguir o exemplo do grande Pastor das ovelhas poderá elevar o nível do nosso ministério.

Humildade Rara. Não há exemplo de humildade tão grande como o de Jesus. E a melhor descrição desta humildade saiu da pena de Paulo: “Embora sendo Deus, [Jesus Cristo] não considerou que o ser igual a Deus era algo que devia apegar-se; mas esvaziou-se de si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até a morte e morte de cruz!”(Fp. 2:5-8).

Porque ninguém é mais alto que Jesus, ninguém desceu tanto quanto Ele. Jesus entrou num ventre materno, veio ao mundo numa pequena cidade e numa família que não tinha recursos nem sequer para comprar o cordeiro para o sacrifício da purificação. Não tinha onde repousar a cabeça e convivia com pecadores e publicanos. Passou por todo tipo de tentação, foi desprezado e rejeitado pelos homens, e trocado por um criminoso culpado de uma rebelião em Jerusalém e por homicídio. Recebeu cusparada e pancadas no rosto, foi condenado ilegalmente e crucificado entre dois criminosos. 

Em outra carta, Paulo volta a explicar a humildade de Jesus, em poucas palavras: “você conhecem a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, se fez pobre por amor de vocês, para que por meio de sua pobreza vocês se tornassem ricos.”(2 Cor. 8:9). 

Custe o que custar, a humildade rara que tomou conta de Jesus precisa tomar conta de nós: “seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus” (Fp. 2:5).

Obediência Rara. A sensação que temos é que o autor da epístola aos Hebreus exagera a humanidade de Jesus. Principalmente quando afirma que, “embora sendo filho, Ele aprendeu a obedecer por meio daquilo que sofreu”(Hb. 5:8)

A obediência supõe um perigoso conflito entre a vontade certa e a errada, entre a vontade contínua e a passageira, entre a conflito entre a vontade certa e a errada, entre a vontade contínua e a passageira, entre a vontade soberana e a circunstancial, entre a vontade de Deus e a vontade própria. 

Jesus enfrentou esse conflito de vontades opostas. Ele teve vontade de comer, mas não realizou o espetáculo de transformar pedras em pães como o tentador lhe sugerira. 

No início de sua última semana de vida, já em Jerusalém, Ele chegou a considerar a possibilidade de pedir ao Pai que o dispensasse da cruz, mas nem sequer fez a oração desejada, disse, “eu vim exatamente para isto, para esta hora”. 

No penúltimo dia daquela semana, no Getsêmani, “numa tristeza mortal”, Jesus prostrou-se e fez a oração mais dramática: “Meu pai, se possível afasta de mim esse cálice; não seja como eu quero (a tal vontade passageira e circunstancial), mas sim como tu queres”. 

A obediência rara de Jesus deve ser praticada por nós. Não é uma obediência fácil. Muitas vezes custa um preço muito alto,
mas deve ser imitada por seus servos.

Capacidade Rara. A Epístola aos Hebreus faz um jogo de palavras muito interessante. 

Primeiro diz que “temos um sumo sacerdote que adentrou aos céus”. Logo em seguida afirma que “não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas”. Não precisamos perguntar: “temos ou não temos?”, pois ele sabe que temos, mas não qualquer sumo sacerdote. O que temos é “alguém que, como nós, passou por todo tipo de tentação, porém,
sem pecado” e, portanto, capaz de compadecer-se de nós. 

Aqui está uma capacidade rara que o sumo sacerdote da antiga aliança deveria ter e que os pastores de hoje precisam ter.

Os ministros de hoje não são diferentes dos ministros do passado nem das ovelhas sob seus cuidados. Precisamos imitar esta capacidade rara de enxergar as próprias fraquezas, de entender as fraquezas alheias, de suportá-las, de não perder a paciência nem a esperança de ver mudanças.

Dedicação Rara. Na metade do evangelho de João, Jesus faz sete diferentes autodesignações: “Eu sou o pão da vida”; “Eu sou a luz do mundo”, “Eu sou a porta das ovelhas”; “Eu sou o bom pastor”; “Eu sou a ressurreição e a vida”; “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” e “Eu sou a videira verdadeira”. 

A autodesignação mais trabalhada é a do meio: “Eu sou o bom pastor”. Serve para diferenciar o bom pastor do pastor mercenário e dos ladrões e assaltantes.

O mercenário nada mais é do que um simples empregado. Não tem ligação afetiva com as ovelhas. Ao ver o lobo ou o ladrão, simplesmente abandona-as. O ladrão “vem para roubar, matar e destruir”. Jesus é o oposto dos dois. Ele não somente arrisca sua vida como também entrega o seu corpo como oferta pelo pecado. 

O bom pastor deixa claro que sua morte não foi um acidente de percurso, muito menos uma pressão a que ele não teve como resistir. “Ninguém tira a minha vida de mim, mas eu a dou por minha espontânea vontade”. 

É essa dedicação rara de amar as ovelhas a ponto de dar a sua própria por elas que caracteriza o bom pastor.

Fonte: Revista Ultimato (dez
2004)



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