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A relação entre a solidão e os riscos de doenças cardiovasculares

Na década de 50, os Estados Unidos passavam por uma grave epidemia de mortes por Infarto Agudo do Miocárdio. Nem o presidente Eisenhower foi poupado! A população vivera nos 20 anos anteriores dias terríveis: o crash da bolsa de Nova Iorque de 1929 e todos os males e medos da 2ª Guerra Mundial, além disso, estavam em plena guerra fria. A qualidade da alimentação piorava, o consumo de industrializados e de cigarro aumentavam.


Mas uma cidade na Pensilvânia trazia um mistério: a cidade de Rosetto. Uma colônia italiana cuja população tinha níveis semelhantes de hipertensão, diabetes, tabagismo e colesterol. Estavam também vivendo os dramas da época, mas o que aquela cidade tinha de tão diferente?


Em um artigo publicado em 1964, os pesquisadores da época avaliaram que o mais provável era a forma como as pessoas viviam em Rosetto. Segundo as palavras do autor do artigo científico “eles eram felizes, barulhentos e despretensiosos (...) A impressão do visitante é que era uma sociedade do tipo camponesa de primeira classe de vida simples, calorosa e pessoas muito hospitaleiras. Tinham confiança mútua (não havia criminalidade em Rosetto) e suporte mútuo. Havia pobreza, mas não havia necessidade, pois os vizinhos supriam as suas próprias necessidades, especialmente para os imigrantes que continuavam a chegar em pequeno número da Itália”.


Olhar para a história pode ensinar tanto quanto as tecnologias mais modernas. Buscamos os remédios mais modernos, os hospitais mais luxuosos, mas não podemos deixar de olhar para o que ocorreu em Rosetto.


Talvez, o que nos falte é vencer as barreiras da solidão, ter amigos de verdade, buscar ser e ter irmãos que partilhem a caminhada. Não é buscar riqueza, mas viver uma vida mais simples com mais conexões sociais, rumo a uma vida mais saudável.


Não existe coração saudável sem uma vida em sociedade saudável.


Cinquenta anos depois, a comunidade científica voltou a estudar o caso de Rosetto. Infelizmente, com o crescimento da cidade e a perda de coesão social, as taxa de infarto e morte por doença cardiovascular cresceu e Rosetto virou uma cidade como as suas vizinhas.


Mais uma vez, o autor de Eclesiastes estava certo: “Melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho.

Porque se um cair, o outro levanta o seu companheiro; mas ai do que estiver só; pois, caindo, não haverá outro que o levante.” Eclesiastes 4:9,10


Por Dr. Bruno Colontoni

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