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GC I Por que Jesus fala do grão de mostarda em Mateus capítulo 17?


Versículos: Mateus 13:31-32, (Marcos 4:30-32; Lucas 13:18-19)

“31Jesus lhes propôs outra parábola, dizendo:

— O Reino dos Céus é semelhante a um grão de mostarda, que um homem pegou e plantou no seu campo. 32Esse grão é, na verdade, a menor de todas as sementes, mas, quando cresce, é maior do que as hortaliças, e chega a ser uma árvore, de modo que as aves do céu vêm se aninhar nos seus ramos.

Versão Nova Almeida Atualizada (NAA)


A pregação de Jesus Cristo em todo o tempo de sua vida terrena teve por objetivo específico falar do Reino dos Céus. Em cada parábola havia elementos da estrutura do Reino, sua composição, vida interior, relações com o mundo exterior e extensão no mundo das criaturas. Várias parábolas, entre as quais, a do Grão de Mostarda, tratam de crescimento e desenvolvimento do Reino de Deus na terra. Sua habilidade em falar com linguagem figurada deu-lhe a autoridade de falar com profundidade, utilizando uma forma clara e acessível a qualquer pessoa.


Nesta parábola Ele se volta para o mundo da botânica e usa a figura de uma pequena semente (grão) de mostarda para ilustrar o Reino de Deus ou dos céus. Ao fazer essa comparação, Jesus fala de desenvolvimento, crescimento e expansão desse Reino. Portanto, o “grão de mostarda”, quando semeado na terra, sendo pequeno e diminuto, tem a força interior para se desenvolver, crescer e transformar-se numa grande árvore. Cristo confere um tom poético e literal à descrição da mostarda e diz que ela se torna suficientemente grande para abrigar até mesmo os pássaros em seus ramos. Na verdade, a lição espiritual que esta parábola nos dá é sobre a elevação, expansão e proeminência do Reino de Deus na terra.


A SEMENTE DE MOSTARDA


Se Jesus estivesse em nossos dias em carne e osso certamente Ele usaria os recursos modernos para ilustrar suas grandes verdades, que são eternas e nunca caem em desuso. Naqueles dias, Ele se voltou para as coisas próprias dos hábitos e costumes, bem como dos valores morais da época e, com uma linguagem especial, ensinou verdades profundas que são os valores que conhecemos em nossos tempos modernos. Ao utilizar figuras da vida física, animal, botânica e humana, Jesus aguçou o conhecimento existente da época como também a curiosidade das pessoas pelas novidades que apresentava.

Há uma certa similitude entre as parábolas do Semeador, do Joio e do Trigo, do Grão de Mostarda e do Fermento. Cada parábola tem a sua interpretação própria, mas Ele falou dando uma harmonia quanto às lições que queria ensinar. Ele jamais empregou uma figura com dois sentidos diferentes. Em cada parábola há uma perfeita harmonia na mensagem final que Jesus queria ensinar.

A mostarda aparece nos três primeiros Evangelhos por quatro vezes (Mateus 13.31; 17.20; Marcos 4.31; Lucas 13.10; 17.6). Jesus utiliza a mostarda conhecida na Palestina. Há dois tipos de mostarda, a negra e a branca, elas são sementes pequeninas. Era uma planta que, quando em terra fértil, podia crescer rapidamente até cerca de três metros e meio a quatro. Em seus ramos estendidos, as aves do céu podiam aninhar-se.


LIÇÃO DE CONSTRASTES

Nesta parábola, Jesus utiliza-se dessa ilustração para mostrar as diferenças entre valores das coisas do reino desse mundo e do Reino de Deus.

Pelo fato de a hortaliça produzir tão pequeninas sementes, Jesus queria que seus discípulos entendessem que uma semente tão pequena era capaz de produzir um grande resultado. A partir de um começo obscuro chega-se a um final surpreendente. Na realidade, “a menor de todas as sementes” (daquela época) e a maior das plantas” formam um contraste dentro da parábola, que somente nos é possível compreender com entendimento espiritual. A operação divina é o elemento que produz o crescimento do Reino de Deus. Em virtude do diminuto tamanho e peso do grão de mostarda, o Reino de Deus (a Palavra) surge do nada para tornar-se tudo o que o poder de Deus pode fazer.

A Igreja, como em grão de mostarda, pequenino e pouco notado de início, foi capaz de surpreender o mundo com a sua vida dinâmica. Pode-se comparar esse sucesso do grão de mostarda à fé nascida no coração de uma pessoa capaz de surpreender, posteriormente, com uma grande obra em favor do Reino de Deus.


O PODER MISTERIOSO DA FÉ

Certa feita, Jesus estava rodeado de uma grande multidão carente e curiosa pelos seus milagres quando se aproximou um homem, pai desesperado pelo estado espiritual e físico de seu filho, e pediu-lhe que o curasse (Mateus 17.14-21). Segundo o relato de Mateus, os discípulos não conseguiram libertar o rapaz. Um sentimento de frustração e derrota dominou o coração daqueles discípulos. Jesus não apenas curou e libertou o rapaz de uma casta de demônios que o escravizara até então, mas aproveitou o ensejo para dar uma lição aos seus discípulos. Perguntaram-lhe: “Por que não pudemos nós expulsá-lo?” Jesus, de forma objetiva e direta, respondeu-lhes: “Por causa da vossa pequena fé; porque em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá — e há de passar; e nada vos será impossível” (v. 20). Ao usar a figura do “grão de mostarda”, Jesus quis demonstrar o poder misterioso e qualitativo da fé.

A dificuldade dos discípulos para curar e libertar aquele jovem endemoninhado deu a Jesus a oportunidade não só de curar aquele pobre homem, mas acima de tudo, de mostrar-lhes que a fé é algo misterioso e poderoso quando exercida na devida proporção. Ao mesmo tempo, a figura do “grão de mostarda” é usada pelas características misteriosas e poderosas de aparecer do nada e operar grandes coisas.

O apóstolo Paulo declarou que “o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente" (1 Co 2:14). Ora, o poder misterioso da fé só é possível aos que a recebem e a exercitam em sua vida cristã.


CAMPO DE SEMEADURA

Nas terras do Oriente Médio existem poucos campos de plantio e os existentes são aproveitados ao máximo para o plantio de grãos. No caso da mostarda, a terra não tinha de ser, obrigatoriamente, um lugar plano, como se faz necessário para o plantio do trigo, cevada e aveia, por exemplo.


Há um pequeno detalhe nesta parábola que deve merecer a nossa apreciação. Está descrito “que um homem, pegando dele [do grão de mostarda], semeou no seu campo”. O pronome possessivo “seu” indica que aquele campo não era um campo alheio, de outrem, mas pertencia ao semeador. A semente foi semeada no “seu campo” (v. 31). “O campo” é, sem dúvida, o mundo; o mesmo nas parábolas similares. Podemos entender que a semente semeada no mundo no dia de Pentecostes foi pequena e insignificante (“quase cento e vinte pessoas” —, Atos 1.15,16), mas poderosa. Então, repentinamente, cresceu o número de discípulos (Atos 2.14,37-41) para quase três mil almas e continua crescendo até hoje.


A LIÇÃO DO CRESCIMENTO

Jesus destacou a qualidade desse grão capaz de esconder em seu minúsculo interior uma força descomunal para tornar-se uma grande árvore. Aprendemos, também, que o crescimento do Reino de Deus é centrífugo, isto é, parte de dentro para fora, e pela sua força íntima o rebento parte para fora com crescimento à vista. O tamanho é diminuto (um grãozinho), mas o poder é imenso, capaz de transformar uma semente pequena em uma grande árvore.


A GRANDE ÁRVORE

O texto diz, literalmente: “..., mas, crescendo, é a maior das plantas e faz-se uma árvore” (Mateus 13.32). Lucas descreveu assim: “... e cresceu e fez-se grande árvore” (Lucas 13.19). Os botânicos dizem que as hortaliças são plantas que podem adquirir aparência de árvores, mas são plantas completamente diferentes das árvores. Porém, Jesus, a despeito da linguagem quase que hiperbólica utilizada para ilustrar a hortaliça da mostarda, teve por objetivo fazer comparação.

O crescimento de uma árvore é lento e progressivo, mas o de uma hortaliça, neste caso a mostarda, se desenvolve rápido e, geralmente, é de pouca duração, porque esta vive apenas o suficiente para produzir flores e sementes. Porém, quando Jesus compara o Reino de Deus a uma hortaliça de mostarda, sugere um desenvolvimento totalmente alheio à sua natureza e constituição.

Entretanto, o ensino básico e fundamental dessa parábola é mostrar que, independente da forma rápida e misteriosa de desenvolvimento do grão de mostarda, “o Reino de Deus” (a Igreja) surpreenderia o mundo com sua expansão e proeminência.


AS AMEAÇAS DO CRESCIMENTO

Das parábolas similares anteriores a esta, aparece o campo de plantio, e em cada um desses campos havia problemas típicos de solos e sementes. Esses problemas de recepção, absorção e desenvolvimento do campo são típicos daqueles que recebem a Palavra de Deus. Cada problema tinha de ser encarado com diligência e paciência da parte do agricultor (1 Coríntios 3.8).

No sentido geral, a Igreja é o grão de mostarda semeado no mundo e esse grão desenvolveu-se e cresceu e tornou-se uma grande árvore. Dois mil anos se passaram e a Igreja expandiu-se em toda a terra. O campo representa o lugar onde foi semeada a Igreja de Cristo.

Também esse campo pode ser interpretado como “mundo físico”, onde vivemos, e como o “mundo espiritual”. Esse último sistema é invisível e age no mundo das criaturas. Considerando essa palavra pela perspectiva espiritual, a Bíblia identifica o “mundo” como um sistema de comando satânico em que os demônios agem para deter o crescimento da Igreja de Cristo. João, o apóstolo, disse que “sabemos que somos de Deus e que todo o mundo está no maligno” (1 João 5.19). Vivemos neste mundo (físico e espiritual) como Igreja e nele nos deparamos com dois oponentes: a carne e o Diabo, os quais se incumbem de criar todas as dificuldades possíveis ao desenvolvimento do Reino de Deus. São agentes satânicos contra Cristo e sua Igreja.