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Consagração é a chave para a conexão com Deus

Obediência, renúncia e determinação nos fazem permanecer no centro da vontade do Senhor

Há tempos ouvi a seguinte alegoria: um dia Deus enviou anjos à terra com tarefas específicas: ao primeiro disse: - vá e recolha todos os pedidos e súplicas que são feitos a mim. Ao segundo disse: - vá e recolha todas as expressões de gratidão que os homens têm para mim. Não passou muito tempo e o primeiro anjo voltou com dois imensos sacos cheios de pedidos de oração a ponto de não ter forças para carrega-los. E ficou esperando o segundo anjo voltar. Mas ele não apareceu naquele dia e nem no dia seguinte, por fim ele voltou: o saco que ele carregava era leve e pequeno, com umas poucas palavras de gratidão. O que essa alegoria nos mostra? A maioria de nós sempre está pronta para pedir, mas tardios para agradecer e retribuir o muito que o Senhor realiza em nosso favor todos os dias. Todos esperamos muitas coisas de Deus. Mas, por outro lado, o que Deus espera? O que Ele pede de nós?


Deus nos amou de forma imensa. Ele espera que o amemos de todo coração, espera que também dediquemos nossas vidas a Ele. O apóstolo Paulo escreveu aos Coríntios “um morreu por todos; logo, todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por ele morreu e ressuscitou” (2 Cor. 5:14,15). Paulo continua esse pensamento escrevendo aos romanos: “Rogo-vos, pois, irmãos pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm. 12:1-2).


Temos de viver para Deus, apresentar o nosso corpo em sacrifício vivo! Uma palavra que para mim expressa o sentido de sacrifício vivo é consagração. Doar-me inteiramente ao Senhor. O que significa consagração?


Consagração é obediência


Consagração é ouvir e atender ao que Deus nos diz. Precisamos aprender não somente a ouvir a voz de Deus, mas fazer o que Ele nos diz. Rebelião é o oposto de obediência – antigo problema do homem. No Éden, nossos primeiros pais desobedeceram e não fizeram o que Deus lhes ordenara. Qualquer rebelião desagrada profundamente a Deus. Somos chamados a obedecer, a sermos filhos obedientes.


“A vida cheia do Espírito Santo é uma vida em sintonia com a vontade de Deus”


O que Deus fala é para o nosso bem, tal como nossos pais nos davam ordens, quando éramos crianças, sendo que as ordens não eram para nos castigar ou oprimir, mas para nos proteger.

A Palavra de Deus nos apresenta diversos princípios. Obedecer a Sua voz nos faz bem. Quando nos consagramos a Deus, estamos dizendo que queremos de todo coração fazer o que Ele nos diz. O salmista escreveu “Ouve, povo meu, quero exortar-te. Ó Israel, se me escutasses!... Mas o meu povo não me quis escutar a voz, e Israel não me atendeu. Assim, deixei-o andar na teimosia do seu coração; siga os seus próprios conselhos. Ah! Se o meu povo me escutasse, se Israel andasse nos meus caminhos! Eu, de pronto, lhe abateria o inimigo e deitaria mão contra os seus adversários. Os que aborrecem ao Senhor se lhe submeteriam, e isto duraria para sempre. Eu o sustentaria com o trigo mais fino e o saciaria com o mel que escorre da rocha” (Salmo 81:8,11-16).


Sim, consagrar significa obedecer a Deus. Sacrifício vivo é um sacrifício de obediência. Precisamos obedecer a Deus completamente em todas as áreas de nossa vida. Por obedecer a Deus muitas vezes encontramos problemas, mas lembremos que Pedro e João sofreram por obedecer antes a Deus do que aos homens (At. 4:18-20). Obedecer por vezes pode ser difícil, mas obedecer sempre trará os piores resultados. Consagrar-se significa obedecer.


Consagração é renúncia


Renunciar é deixar de fazer algo que para muitos não haveria qualquer restrição. Quando Daniel e seus amigos Ananias, Misael e Azarias foram levados cativos para a Babilônia, não havia sobre eles qualquer tipo de vigilância. Outros judeus que foram levados para o exílio fizeram tudo o que os seus babilônios pediram sem importar-se com Deus. Mas, Daniel e seus amigos, ainda adolescentes ou jovens, preferiram renunciar aos manjares da mesa do rei. “Resolveu Daniel, firmemente, não contaminar-se” (Dn. 1:8).


A época da adolescência e juventude é um período de muitas oportunidades, mas nela também enfrentamos grandes tentações e perigos. Ao longo de toda vida seremos testados. Jesus disse: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; quem perder a vida por minha causa, esse a salvará” (Lc. 9:23,24). Segundo o comentarista William Barclay, “Negar-se a si mesmo significa dizer não a si mesmo em todos os momentos da vida e dizer sim a Deus... significa destronar-se a si mesmo de uma vez para sempre e entronizar a Deus... fazer de Deus a paixão dominante da vida. Uma vida de autonegação constante é uma vida de assentimento constante a Deus.” A renúncia significa deixar prazeres imediatos em função de uma recompensa maior.


É mais simples ceder a sutis propostas, a prazeres sexuais, bebidas alcoólicas ou drogas, para agradar alguns que se dizem “amigos” ou fazem pressões, do que resistir e dizer não. Renúncia é dizer não a convites aparentemente inofensivos; mas que, com relativa facilidade, são capazes de aprisionar com fortes correntes de morte. Dizer não é mais difícil. Contudo, quando dizemos “não” ao pecado, à carnalidade a à velha natureza provaremos depois a alegria de estar livre de cadeias físicas, emocionais, espirituais.


O jejum bíblico é uma abstinência voluntária aos alimentos para consagrar-se à oração, é uma ferramenta espiritual que o cristão precisa utilizar. Como o desejo por alimento é um instinto forte, se gradativamente aprendemos a resistir à fome por um propósito maior (quando não houver restrições clínicas a esta prática e debaixo de sábia orientação) aprenderemos a fortalecer a vontade para quebrarmos a força dos vícios, do pecado, da natureza carnal e das paixões que conspiram contra os valores espirituais da pureza e da santidade.

Consagrar-se é saber renunciar.


Consagração é determinação


Na Bíblia encontramos por vezes a expressão “de todo coração” tais como: “Buscar a Deus de todo o coração” (Jr. 29:13), “amar a Deus com todo o coração” (Dt. 6:5; Mt. 22:37), “crer de todo o coração” (At. 8:37) “tudo o que fizer, fazei-o de todo o coração” (Col. 3:23), “manter firme o coração” (Sl. 108:1) e “aproximar-se de Deus com sincero coração” (Hb 10:22). As expressões indicam sinceridade, inteireza e firmeza.


Russel Shedd, renomado escritor e editor, expôs que para os hebreus o coração era a fonte que governava todos os aspectos da vida humana: “governava as ações, o caráter, a personalidade, a vontade e a mente humana”, escreveu ele. Consagrar-se a Deus significa uma constante disposição de nosso coração de seguir naquilo que Deus planejou para nós.

Não basta um desejo parcial, é preciso inteireza. É preciso dedicar-se cem por cento. Quando assim o fazemos confirmamos sobre nós o senhorio de Jesus Cristo. Há um preço a pagar. Billy Graham falou “A salvação é de graça, mas o discipulado custa tudo”.


Quando decidimos seguir a Cristo precisamos de uma firme e constante determinação de ir até o fim. É preciso perseverança, uma firma e contínua disposição de obedecer a Deus e resistir ao mau. Consagração é dar tudo, como aquela viúva que depositou as duas moedinhas no gazofilácio (Lc. 21:1-4). É dar “de todo o coração” indicando uma entrega total, e também dar com compromisso indicando que temos com Deus uma firme aliança, um compromisso para sempre.


Há um momento na vida que nossa entrega é como a de uma criança que dorme no colo materno, mas há outros momentos que o tudo será uma entrega mais complexa com várias implicações e até mesmo sofrimento, Jesus disse “tomar a cruz e segui-lo”. Há cristão em alguns países até mesmos sofrimento, Jesus disse “tomar a cruz e segui-lo”. Há cristãos em alguns países que para seguir Jesus passam pela prova de entregar as próprias vidas. Há um hino que o refrão principal é: “Já vieste ao altar para sempre ficar? Rendeste a vida ao Senhor? Só assim paz terás, Seu descanso acharás; Suas ricas delícias de amor”. Consagração tem um preço. É entregar-se totalmente, continuamente, até o fim, até chegarmos na glória celestial.


- Manoel Oliveira

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