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GC 21: A Vontade do Homem & A Vontade de Deus



VERSÍCULOS CHAVE:

“9 — Portanto, orem assim: “Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome;

10 venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu;” Mateus 6:9-10

Versão Nova Almeida Atualizada (NAA)



EU TENHO QUE ABRIR MÃO DA MINHA VONTADE PARA REALIZAR A VONTADE DE DEUS?


A vontade, resumidamente, é a capacidade através da qual tomamos posição frente ao que nos aparece. Diante de um fato, de um sonho, podemos desejá-lo, acolhê-lo ou rejeitá-lo.


Para os filósofos Santo Agostinho e Descartes vontade e liberdade são a mesma coisa.. Eles concordam que pelo fato de termos vontade nos tornamos responsáveis pelas nossas decisões e ações. A dimensão moral do homem decorre do fato dele ter vontade.

Fomos criados pela vontade de Deus, à sua imagem e semelhança (Gênesis 1:26). Sim, Deus tem vontade para si mesmo e o fez quando nos criou. E nós fomos gerados “à sua semelhança” possuindo vontades próprias.


Não há dúvida que o exercício pleno da capacidade de nos posicionarmos com nossas vontades e decisões deve respeitar a vontade do próximo. A beleza da criação consiste também que somos diferentes, algumas vezes, divergentes e até antagônicos, mas todos possuímos a capacidade de decidirmos conforme a nossa própria vontade.

Através dela decidimos o que estudar, no que trabalhar, no que investir, no que se dedicar, com quem se casar. Das primeiras palavras quando crianças já vemos nossa vontade em ação, e ao término de nossas vidas podemos decidir lutar mais um pouco ou se entregar ao destino final.


Com certeza, todos nós já oramos a oração do PAI NOSSO. Muitos de nós já a decoramos, como dizem, “decor e salteado”. Neste ensino sobre oração, Jesus na oração do PAI NOSSO, diz à Deus que “faça a tua vontade, na terra, como no céu.”





Apresento abaixo indagações para nossa reflexão:


1 - Será que falamos “seja feita a tua vontade” no “Pai nosso” como uma mera repetição sem a devida compreensão do que ela significa?


2 – Nas suas orações você inclui que a vontade de Deus se realize a começar pela sua vida, prevalecendo, se for o caso, até sobre a nossa própria vontade?

Não há dúvida que é um ato de fé, confiança e submissão irrestrita ao Pai celestial quando falamos a Ele: “faça-se a tua vontade na minha vida”. O que gera em nosso coração esse destemor na oração? Veja o que diz Romanos 8:32 “Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura, não nos dará graciosamente com ele todas as coisas?”

A oração não é um meio para ter as minhas vontades satisfeitas, mas sim, a vontade do Pai satisfeita em minha vida.


“A oração é um instrumento poderoso não para realizar a vontade do homem no céu, mas para realizar a vontade de Deus na terra” Robert Law


Quem estuda a oração do Pai-Nosso entenderá que Jesus queria que os seres humanos tivessem uma relação com o Pai celestial sem barreiras e preconceitos. Apesar de Deus ser o único ser que existe por si mesmo, pois Ele não precisa de nada para sobreviver, não se deteriora e não envelhece, mas Jesus revelou que Ele possui vontades. Na oração do Pai-Nosso, Jesus fala da vontade do Pai, revela o Pai tem uma vontade a ser realizada para toda humanidade e, ao mesmo tempo, ela é individual para cada um de nós.


- Mas que projeto do Pai é esse? . Seu projeto é ter uma família eterna, onde não haverá luto, dor, lágrimas, angústias e injustiças. A vontade de Deus não é individualista nem egocêntrica. Ela inclui todos os seres humanos e é irrigada de afeto, pois não constitui o projeto de um Criador cercado de poder, mas de um Deus apaixonado por suas criaturas. Por isso Ele enviou Jesus Cristo, para demonstrar esse amor, e como expressão máxima desse amor, Jesus se entregou para morrer pelos nossos pecados, para que todos aqueles que Nele creem como seu único Salvador, poderem chamar Deus de Pai e ter a vida eterna. (João 1:12) Este é o projeto de Deus para nós, essa é a Sua vontade, que necessariamente passa pela experiência pessoal e salvadora através de Jesus Cristo, Seu Filho. Afinal “ninguém vai ao Pai a não ser por mim” disse Jesus. Você precisa reconhecer Jesus como seu salvador pessoal, crer que Ele pode perdoar seus pecados e entregar-se a Ele, sem essa decisão, ninguém se torna filho de Deus.


O apóstolo Paulo falando sobre a prática da oração em favor de todos os homens diz em I Timóteo 2:3-4 “Isto é bom e aceitável diante de Deus, nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade”. E a verdade é Jesus, “Ele é o caminho, a verdade e a vida” João 14:6. , Sim, Ele quer participemos do seu projeto, e Ele adora uma boa conversa e aceita a nossa simples oração.


- Por que Deus, cujo poder não tem limites, precisa da nossa oração para cumprir sua vontade?


Não parece loucura? Se um rei tem um grande projeto e condições de executá-lo, por que precisa das frágeis súplicas humanas para estimulá-lo a cumprir sua vontade?


A conclusão é que, apesar da importância do projeto para a humanidade, Deus rejeita o exercício do poder para executá-la. Ele possui um plano global e eterno, mas se recusa a usar a força para que esse plano saia da sua prancheta. O fato de se colocar como um Pai faz com que Deus aja ao contrário do que o senso comum. Ele nos criou com livre-arbítrio.


Ele não trata os seres humanos como serviçais, como criaturas que devem se prostrar diante de sua grandeza, mas como potenciais filhos. Como um Pai amoroso, que respeita os filhos, Deus não exercerá essa vontade de cima para baixo, mas de baixo para cima, ou seja, contando com a participação humana. De cima para baixo Ele já enviou Seu Filho. Agora é debaixo para cima.

O poder ilimitado do Deus da Bíblia encontra alguns limites na ação humana, por mais incrível que possa parecer. Pensar que Ele pode não agir se o ser humano não orar deveria nos colocar de joelhos agora. Ele também quer agir em nós! E o Sermão da Montanha é um espelho que reflete nossas fragilidades e denuncia nosso egoísmo.


Como conhecer e fazer a vontade de Deus?


Conhecer a vontade de Deus não é algo místico que eu recebo de maneira sobrenatural. Eu conheço a vontade de Deus como resultado do estilo de vida que eu vivo. Em Romanos 12:1-2

Paulo nos dá algumas dicas importantes:



1. Apresente-se a Deus

Ele fala que devemos apresentar o nosso corpo como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus. Temos oportunidades de servir a Deus ou aos prazeres da carne e do mundo com nosso corpo. No calendário oficial brasileiro constam festas que praticamente estimulam excessos, bebedeiras, nudez, permissividades, promiscuidades, consumo de drogas. Os prazeres terrenos e mundanos cobram um preço alto. Pessoas quebradas emocionalmente, moralmente e espiritualmente. Ao contrário, devemos oferecer nossos corpos para Deus. O caminho de Deus é o caminho da santidade, pureza, felicidade. Esse oferecimento do meu corpo, Paulo chama de culto que agrada a Deus. Quando eu me entrego a Deus para servi-Lo diariamente com uma postura santa, sincera, profunda, amando a Deus e ao meu próximo como a mim mesmo, estou prestando culto e fazendo a vontade do Pai.


2. Não se conforme com este mundo (século)

Significa não se amoldar com o sistemas de valores e princípios, ou mesmo a falta de princípios, que vivemos hoje. A sociedade abraça o relativismo moral, aplaude o vício e escarnece da virtude. Inverte tudo colocando de cabeça para baixo, chamando luz de trevas e trevas de luz. Autoridades aprovam leis que chocam, que conspiram contra os valores legítimos que deveriam regulamentar a vida da família e da sociedade. Não podemos nos conformar com essa falta de absolutos, com esse processo galopante de descuido da vida moral, onde a mídia, as autoridades, as redes sociais, divulgam e seguem regras frouxas, caminhando para um abismo moral. Não podemos colocar o pé nesta forma, não podemos entrar no relativismo moral, o final é desastroso, trágico, é perdição na certa. O versículo de I João 2:15 é claro: “Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele”. O que governa o mundo são os desejos da carne e a soberba da vida. Tiago, por sua vez, é claro “Infiéis, não compreendeis que a amizade do mundo é inimiga de Deus. Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus” Tiago 4:4.


3. Transformai-vos pela renovação da vossa mente