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GC I Estudo 25: Guia Prático da Vida Cristão. Jejum, para que serve?



VERSÍCULOS CHAVE:

“— Quando vocês jejuarem, não fiquem com uma aparência triste, como os hipócritas; porque desfiguram o rosto a fim de parecer aos outros que estão jejuando. Em verdade lhes digo que eles já receberam a sua recompensa. Mas você, quando jejuar, unja a cabeça e lave o rosto, a fim de não parecer aos outros que você está jejuando, e sim ao seu Pai, em secreto. E o seu Pai, que vê em secreto, lhe dará a recompensa.”

Mateus 6:16-18 - Versão Nova Almeida Atualizada (NAA)


i- O QUE É O JEJUM?

Jejum é a abstinência total ou parcial de alimentos por um período definido e propósito específico.


Tem sido praticado pela humanidade em praticamente todas as épocas, nações, culturas e religiões. Pode ser com finalidade espiritual ou mesmo medicinal, pelos benefícios físicos que produz no corpo. Nosso enfoque é o jejum bíblico.


II – A BÍBLIA ORDENA O JEJUM?

Não. No Velho Testamento, na lei de Moisés, os judeus tinham um único dia de jejum instituído: o Dia da Expiação (Levítico 23:27 “— Mas, aos dez dias deste sétimo mês, será o Dia da Expiação; façam uma santa convocação e humilhem-se; tragam uma oferta queimada ao Senhor.”), que também ficou conhecido como “o dia do jejum” (Jeremias 36:6 “Vá você até lá e, do rolo que você escreveu, segundo o que eu ditei, leia em voz alta todas as palavras do Senhor, diante do povo, na Casa do Senhor, no dia de jejum.” Leia também diante de todos os de Judá que vêm das suas cidades. Apesar de não haver um imperativo desta prática, a Bíblia esta cheia de menções ao jejum.


O ensino de Jesus sobre o jejum está relatado no texto acima de Mateus 6:16-18. Embora Jesus não esteja mandando jejuar, suas palavras revelam que ele esperava de nós esta prática, pois Ele disse “quando jejuardes”. Ele nos instruiu até sobre a motivação correta que se deve ter ao jejuar. E quando disse que o Pai recompensaria a atitude correta do jejum, nos mostrou que tal prática produz resultados. O próprio Jesus praticou o jejum, e lemos em Atos que os líderes da Igreja também o faziam, os pais da Igreja continuaram observando essa prática. Era costume dos fariseus jejuarem dois dias por semana (Lucas 18:12 “Jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo o que ganho.”, mas Jesus e seus discípulos foram questionados porque não o faziam:


“Então eles disseram a Jesus: — Os discípulos de João frequentemente jejuam e fazem orações, e os discípulos dos fariseus fazem o mesmo; mas os seus discípulos comem e bebem. Jesus, porém, lhes disse: — Será que vocês podem fazer com que os convidados para o casamento jejuem enquanto o noivo está com eles? No entanto, virão dias em que o noivo lhes será tirado, e então, naqueles dias, eles vão jejuar.” Lucas 5:33-35

Claramente Jesus não foi contra o jejum, mas disse que depois que Ele fosse “tirado” do convívio direto com os discípulos, eles haveriam de jejuar. Entretanto, Jesus condenou a motivação errada, pois as pessoas jejuavam para provar sua religiosidade e espiritualidade, e Jesus ensinou a fazê-lo em secreto, sem alarde.”


III – O PROPÓSITO DO JEJUM

Kenneth Hagin disse: “O jejum não muda a Deus. Ele é o mesmo antes, durante e depois de seu jejum. Mas, jejuar mudará você. Vai lhe ajudar a manter-se mais suscetível ao Espírito de Deus”. O jejum não tornará Deus mais bondoso ou misericordioso para conosco, ele está ligado diretamente a nós, à nossa necessidade de romper com as barreiras e limitações da carne. O jejum deixará nosso espírito atento pois mortifica a carne e aflige nossa alma.

O propósito primário do jejum é mortificar a carne, o que nos fará mais suscetíveis ao Espírito Santo. Quando jejuamos não devemos crer NO JEJUM, e sim em DEUS. A resposta às orações flui melhor quando jejuamos porque através desta prática estamos liberando nosso espírito na disputada batalha contra a carne, e por isso algumas coisas começam a acontecer.

Quando Jesus disse aos discípulos que não puderam expulsar um demônio por falta de jejum (Mateus 17:21 “[Mas esse tipo de demônio só pode ser expulso por meio de oração e jejum.]”), ele não limitou o problema somente a isto mas falou sobre a falta de fé (Mateus 17:19,20 “Então os discípulos, aproximando-se de Jesus, perguntaram em particular: — Por que motivo nós não pudemos expulsá-lo? Jesus respondeu: — Por causa da pequenez da fé que vocês têm. Pois em verdade lhes digo que, se tiverem fé como um grão de mostarda, dirão a este monte: “Mude-se daqui para lá”, e ele se mudará. Nada lhes será impossível.”) como um fator decisivo no fracasso daquela tentativa de libertação.

O jejum ajuda a liberar a fé! O jejum em si não me faz vencer, mas libera a fé para o combate e nos fortalece, fazendo-nos mais conscientes da autoridade que nos foi delegada.


IV – EXEMPLOS DO VELHO E NOVO TESTAMENTO DE PROPÓSITOS PARA O JEJUM

  1. Consagração – O voto do nazireado envolvia abstinência/jejum de determinados tipos de alimentos - Números 6:3,4 “deverá abster-se de vinho e de bebida forte. Não beberá vinagre de vinho, nem vinagre de bebida forte, nem tomará suco de uvas, nem comerá uvas frescas nem secas. Todos os dias do seu nazireado não comerá nada que venha da videira, desde as sementes até as cascas.”

  2. Arrependimento de pecados – Samuel e o povo jejuando em Mispa, como sinal de arrependimento de seus pecados - 1 Samuel 7:6 “Congregaram-se em Mispa, tiraram água e a derramaram diante do Senhor, jejuaram aquele dia e ali disseram: — Pecamos contra o Senhor. E Samuel julgou os filhos de Israel em Mispa.”, Neemias 9:1 “No dia vinte e quatro deste sétimo mês, os filhos de Israel se reuniram para um jejum. Vestiam pano de saco e traziam terra sobre a cabeça.”

  3. Luto – Davi jejua em expressão de dor pela morte de Saul e Jônatas, e depois pela morte de Abner 2 Samuel 1:12 “Prantearam, choraram e jejuaram até a tarde por Saul, por Jônatas, seu filho, pelo povo do Senhor e pela casa de Israel, porque tinham caído à espada.” e 2 Samuel 3:35 “Então todo o povo veio fazer com que Davi comesse pão, sendo ainda dia. Mas Davi fez este juramento: — Que Deus me castigue severamente se eu provar pão ou qualquer outra coisa antes que o sol se ponha.”

  4. Em situações de enfermidade – Davi jejuava e orava por outros que estavam enfermos - Salmos 35:13 “Quanto a mim, porém, estando eles enfermos, as minhas roupas eram pano de saco; eu afligia a minha alma com jejum e em oração me reclinava sobre o peito.”

  5. Intercessão – Daniel orando por Jerusalém e seu povo - Daniel 9:3 “Voltei o rosto ao Senhor Deus, para o buscar com oração e súplicas, com jejum, vestido de pano de saco e sentado na cinza.”, Daniel 10:2,3 “Naqueles dias, eu, Daniel, fiquei de luto por três semanas. Não comi nada que fosse saboroso, não provei carne nem vinho, e não me ungi com óleo algum, até que passaram as três semanas.”

  6. Envio missionário – Atos 13:3 “Então, jejuando e orando, e impondo as mãos sobre eles, os despediram.”

  7. Estabelecimento de presbíteros – Atos 14:23 “E, promovendo-lhes, em cada igreja, a eleição de presbíteros, depois de orar com jejuns, os encomendaram ao Senhor, em quem haviam crido.”

  8. Paulo – várias ocasiões – 2 Coríntios 6:3-5 “Não queremos dar nenhum motivo de escândalo em coisa alguma, para que o ministério não seja censurado. Pelo contrário, em tudo nos recomendamos a nós mesmos como ministros de Deus: na muita paciência, nas aflições, nas privações, nas angústias, nos açoites, nas prisões, nos tumultos, nos trabalhos, nas vigílias, nos jejuns,” e 2 Coríntios 11:23-27 “ São ministros de Cristo? Falando como se estivesse fora de mim, afirmo que sou ainda mais: em trabalhos, muito mais; em prisões, muito mais; em açoites, sem medida; em perigos de morte, muitas vezes. Cinco vezes recebi dos judeus quarenta açoites menos um. Três vezes fui açoitado com varas. Uma vez fui apedrejado. Três vezes naufraguei. Fiquei uma noite e um dia boiando em alto mar. Em viagens, muitas vezes; em perigos de rios, em perigos de assaltantes, em perigos entre patrícios, em perigos entre gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre falsos irmãos; em trabalhos e fadigas, em vigílias, muitas vezes; em fome e sede, em jejuns, muitas vezes; em frio e nudez.”

V – DIFERENTES FORMAS DE JEJUM


a) Jejum parcial – Daniel 10:2,3 “Naqueles dias, eu, Daniel, fiquei de luto por três semanas. Não comi nada que fosse saboroso, não provei carne nem vinho, e não me ungi com óleo algum, até que passaram as três semanas.” – Daniel fala o que ficou sem ingerir: carne, vinho e manjar desejável. Se absteve de alguns alimentos por três semanas.


b) Jejum normal – é a abstinência de alimentos mas com ingestão de água. Foi a forma que o Senhor Jesus adotou ao jejuar no deserto – Mateus 4:2 “E, depois de jejuar quarenta dias e quarenta noites, teve fome.” e Lucas 4:1,2 “Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e foi guiado pelo mesmo Espírito, no deserto, durante quarenta dias, sendo tentado pelo diabo. Nada comeu naqueles dias, ao fim dos quais teve fome.”


c) Jejum total – é a abstinência de tudo, inclusive de água. Ester, num momento de crise, onde os judeus estavam condenados à morte por um decreto do rei, pede que jejuem por ela – Ester 4:16 “Vá e reúna todos os judeus que estiverem em Susã, e jejuem por mim. Não comam nem bebam nada durante três dias, nem de noite nem de dia. Eu e as minhas servas também jejuaremos. Depois, irei falar com o rei, ainda que seja contra a lei; se eu tiver de morrer, morrerei.”. Paulo, após sua conversão usou esta forma de jejum, devido o impacto da revelação que teve. Atos 9:9 “Esteve três dias sem ver, durante os quais nada comeu, nem bebeu.” O prazo máximo dessa abstinência de água, por recomendação médica, é de 3 dias.


VI – DURAÇÃO DO JEJUM